Um homem cego me ensinou!
Escrito e enviado por Cláudio França -Equipe Deseret Connect speeches
Cláudio França é natural de João Pessoa, é casado, formado em gestão financeira. Também é escritor e empreendedor.
Amante das escrituras e observador atento das delicadas manifestações de Deus no cotidiano, acredita que os momentos mais simples muitas vezes revelam as verdades mais eternas. Entre uma boa conversa, pão de queijo e chocolate quente, encontra alegria em compartilhar reflexões sobre fé, propósito e esperança. É membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, onde fortalece diariamente seu testemunho de Jesus Cristo e do evangelho restaurado
Quando um Homem Cego Me Ensinou a Segurar a Barra de Ferro
Há encontros que duram apenas alguns minutos, mas permanecem conosco por toda a vida. Recentemente vivi um desses momentos.
Era uma tranquila manhã de domingo. Minha esposa e eu caminhávamos para a capela. O céu estava limpo, de um azul intenso, daqueles que nos fazem lembrar que Deus também prega sermões por meio da beleza da criação.
Confesso que eu estava apressado. Queria chegar logo à reunião sacramental. Mas, como tantas vezes acontece, Deus tinha preparado uma reunião antes da reunião.
Enquanto caminhávamos, um senhor idoso aproximou-se e perguntou onde ficava a calçada. A princípio, achei a pergunta curiosa. Porém, ao me aproximar, percebi que ele era cego. Seus olhos não enxergavam a rua. Não viam o céu azul que eu contemplava. Não distinguiam árvores, carros ou pessoas.
Mas havia algo que ele via com muita clareza.
Ele sabia para onde estava indo.
Explicou que estava a caminho de sua igreja, pertencente à denominação das Testemunhas de Jeová, e perguntou se poderíamos guiá-lo até a rua onde ela ficava.
Aceitamos prontamente.
Enquanto caminhávamos, conversávamos sobre coisas simples, até que ele perguntou para onde nós estávamos indo.
Respondi que éramos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e que seguíamos para nossa capela.
Então veio uma pergunta inesperada.
— Vocês adoram a barra de ferro?
Sorri.
Era uma pergunta sincera.
Expliquei que não.
A barra de ferro não é objeto de adoração. Ela é o caminho seguro para quem deseja chegar ao Salvador.
Na visão de Leí, registrada no Livro de Mórmon, a barra de ferro representa a palavra de Deus, capaz de conduzir aqueles que se apegam a ela até a Árvore da Vida, símbolo do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo.
Néfi ensinou:
"E eu lhes disse que a barra de ferro era a palavra de Deus; e que todos os que dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se apegassem jamais pereceriam..." (1 Néfi 15:24)
Enquanto eu explicava isso, uma imagem surgiu com força em minha mente. Eu estava segurando o braço de um homem que não conseguia enxergar o caminho.
Naquele instante, compreendi que era exatamente isso que a barra de ferro faz por cada um de nós.
Ela não elimina os obstáculos.
Ela não remove a neblina.
Ela simplesmente nos conduz com segurança através dela.
Foi impossível não pensar que talvez sejamos muito mais parecidos com aquele senhor do que imaginamos.
Todos nós caminhamos sem enxergar completamente
A cegueira dele era física.
A nossa, muitas vezes, é espiritual.
Não enxergamos o futuro.
Não entendemos por que certas portas se fecham.
Não sabemos por que algumas respostas demoram.
Não conseguimos compreender todos os propósitos de Deus.
Vivemos, frequentemente, caminhando por fé.
O apóstolo Paulo escreveu:
"Porque andamos por fé e não por vista."
(2 Coríntios 5:7)
Naquele momento percebi algo que jamais esqueci.
O homem confiava plenamente em mim.
Ele não podia confirmar se estávamos na direção certa.
Não podia ver o próximo obstáculo. Não podia verificar cada passo. Ele simplesmente confiava.
E foi então que senti uma verdade nascer em meu coração:
"A fé verdadeira não elimina as perguntas da vida; ela nos sustenta em Deus, mesmo quando as respostas ainda não chegaram — e continua firme quando finalmente chegam." (Cláudio França).
Vivemos numa época em que muitos acreditam que a fé só existe quando todas as dúvidas desaparecem. Mas o evangelho ensina exatamente o contrário, a fé não espera todas as respostas para continuar caminhando. Ela continua caminhando porque conhece aquele em quem confiou.
A barra de ferro existe porque existe neblina
Sempre achei interessante que, na visão de Leí, Deus não removeu a névoa de escuridão. Ele colocou uma barra de ferro e isso diz muito sobre nossa jornada mortal.
Deus nem sempre elimina nossos desafios e nem sempre responde imediatamente às nossas perguntas.
Nem sempre explica Seus caminhos, mas sempre oferece algo firme para segurar.
As escrituras.
Os profetas.
A oração.
Os convênios.
O Espírito Santo.
Tudo isso faz parte da barra de ferro.
E ela continua firme porque sua origem não é humana. Sua origem é divina.
O Senhor declarou em Doutrina e Convênios:
"Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que digo..." (Doutrina e Convênios 82:10)
Que promessa extraordinária. Quando seguramos a barra de ferro, não estamos confiando em nossa força. Estamos confiando na fidelidade de Deus.
Talvez o maior milagre tenha acontecido dentro de mim depois de alguns minutos, chegamos à igreja daquele senhor ele agradeceu com gentileza e seguiu seu caminho.
Minha esposa e eu continuamos caminhando até a capela.
Mas, sinceramente, acho que eu já havia participado de um dos sermões mais marcantes daquele domingo. Eu pensava que estava guiando um homem cego. Mas foi ele quem abriu meus olhos pois percebi que segurar a barra de ferro não significa apenas permanecer firme em Cristo.
Significa também estender a mão para quem está caminhando ao nosso lado. Afinal, quem foi conduzido pelo Salvador naturalmente passa a conduzir outras pessoas até Ele. No fim, tudo aponta para Cristo!
Existe um detalhe que considero profundamente belo na visão da Árvore da Vida.
O objetivo nunca foi a barra de ferro.
O objetivo sempre foi a Árvore.
E a Árvore representa Jesus Cristo, a expressão perfeita do amor do Pai. A barra apenas nos leva até Ele.
Essa talvez seja uma das maiores lições daquela manhã.
Todos nós enfrentaremos momentos em que não conseguiremos enxergar o próximo passo. Haverá dias de perguntas sem respostas, de lágrimas silenciosas e de caminhos cobertos por névoa. Mas, enquanto permanecermos firmemente agarrados à palavra de Deus, continuaremos avançando.
E quando finalmente chegarmos ao fim da jornada, descobriremos que, durante todo o tempo, não era apenas a nossa mão segurando a barra de ferro.
Era o Salvador, com infinita paciência e perfeito amor, segurando nosso coração. Em nome de Jesus Cristo autor e consumador de nossa fé, Amém.




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