Escrito e enviado por Cláudio França - Equipe Deseret Connect speeches.
ATÉ QUE A OBRA SE COMPLETE
Meus irmãos e minhas irmãs,
Quero convidá-los a abrir as escrituras em Daniel, capítulo 10. Porque existe uma história nesse capítulo que nos faz olhar para a obra missionária com outros olhos.
Uma história sobre um homem que orou, um mensageiro que foi enviado, uma resistência que surgiu no caminho e um arcanjo que precisou entrar em cena.
E, quando compreendemos essa passagem, percebemos que há uma diferença entre uma resposta que ainda não chegou às nossas mãos e uma oração que ainda não foi ouvida por Deus.
Daniel 10:12 declara:
“Desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras.”
Pensem nisso!
Desde o primeiro dia, Deus já havia ouvido Daniel.
Daniel não precisou esperar 21 dias para que o céu tomasse conhecimento de sua oração. O céu já havia ouvido. O mensageiro já havia sido enviado. Mas havia algo acontecendo no caminho que Daniel não conseguia enxergar.
E é aqui que essa escritura começa a falar poderosamente à obra missionária.
1. O céu ouviu. Mas o mensageiro encontrou resistência.
Leiam agora Daniel 10:13:
“Porém o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim por vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me.”
Meus irmãos, prestem atenção à gravidade dessa declaração!
O mensageiro foi enviado com uma missão, mas encontrou resistência. E o próprio manual de estudo do Velho Testamento da Igreja explica que o príncipe da Pérsia, nesse contexto, não era simplesmente um governante mortal, mas o líder das forças malignas que apoiavam o domínio injusto dos reinos do mundo, ou seja o próprio Satanás.
Agora, imaginem a cena descrita na escritura: Daniel está na Terra, buscando entendimento de Deus. Um mensageiro celestial foi enviado. Existe uma mensagem a ser entregue. Mas, no relato, há resistência durante 21 dias.
Que lição isso nos ensina sobre a obra missionária?
Não podemos concluir que cada pessoa que recusa os missionários está sob influência de um espírito maligno. Tampouco podemos afirmar que cada dificuldade missionária seja uma batalha espiritual invisível.
Mas podemos aprender algo profundamente importante: a obra de Deus enfrenta oposição, e a oposição não deve nos fazer abandonar a missão.
Quando um missionário convida alguém a conhecer o Livro de Mórmon e ouve um não, ele não pode concluir que seu trabalho foi inútil.
Quando uma família não aceita receber os missionários, não significa que nunca aceitará.
Quando um pesquisador deixa de responder às mensagens, isso não significa que a história terminou.
E quando um líder da ala (LMA) ou membro (Missionário) organiza um programa missionário e poucos aparecem, isso não significa que devemos desistir de convidar.
Às vezes, nós nos cansamos depois de uma porta fechada. Daniel nos convida a olhar para uma realidade maior: a fidelidade não pode depender de resultados imediatos.
Não fomos chamados para controlar as respostas das pessoas. Fomos chamados para servir ao Senhor e convidar todos a virem a Cristo.
2. Quando a resistência apareceu, Miguel veio ajudar
A escritura diz que Miguel veio em auxílio do mensageiro.
Segundo a doutrina dos santos dos últimos dias, Miguel é Adão, o arcanjo. Essa identificação torna a passagem particularmente significativa em nosso estudo das escrituras.
Irmãos, percebam a mensagem: o mensageiro não foi deixado sozinho naquela resistência.
E aqui quero fazer uma aplicação à nossa responsabilidade como membros da Igreja.
O Senhor não nos chamou para fazer a obra missionária isolados uns dos outros.
Ele nos deu quóruns, organizações, alas, ramos, líderes, missionários de tempo integral e missionários de ala. Deu-nos escrituras, oração, revelação pessoal e o dom do Espírito Santo.
Quando um missionário está desanimado, precisamos fortalecê-lo.
Quando um novo converso está enfrentando dificuldades, precisamos caminhar ao seu lado.
Quando alguém começa a frequentar as reuniões e ainda não conhece os convênios, precisamos ensinar com paciência.
Quando uma pessoa se afasta, não devemos tratá-la como um número perdido em um relatório. Precisamos lembrar que ela é um filho ou uma filha de Deus.
Talvez o milagre que o Senhor espera de você hoje seja que você se torne a ajuda que outra pessoa estava precisando.
Não afirmo que a experiência de Miguel se repita exatamente em cada missão. A aplicação é esta: na obra do Senhor, não devemos abandonar nossos companheiros nem permitir que nossos irmãos lutem sozinhos.
3. Daniel permaneceu enquanto o céu trabalhava
Daniel passou três semanas em luto, jejum e busca espiritual. Não foi uma oração superficial. Daniel 10:2–3 descreve sua dedicação.
E existe um detalhe que me impressiona: Daniel não tinha acesso a todas as informações sobre o que acontecia durante aqueles dias.
Ele não conhecia todos os detalhes do conflito descrito pelo mensageiro. Não sabia quando receberia a explicação. Ainda assim, permaneceu buscando o Senhor.
Meus irmãos, quantas vezes queremos resultados antes de desenvolver perseverança?
Queremos que o pesquisador aceite o batismo imediatamente. Queremos que a família volte à Igreja na próxima semana. Queremos que a pessoa que ensinamos compreenda todas as doutrinas na primeira conversa.
Mas a conversão é uma obra espiritual. Exige fé em Jesus Cristo, arrependimento, experiências com o Espírito Santo, aprendizado e escolhas pessoais.
Em Alma 32, aprendemos que a palavra de Deus pode ser comparada a uma semente: precisamos plantá-la, nutri-la e dar-lhe espaço para crescer.
Não podemos arrancar uma semente da terra todos os dias para verificar se suas raízes estão crescendo.
Da mesma forma, não devemos pressionar uma pessoa a produzir uma experiência espiritual para satisfazer nossas expectativas.
Nosso dever é ensinar a verdade, testificar de Cristo, convidar à ação e continuar amando.
O missionário fiel não abandona a semente só porque ainda não viu o fruto.
4. A missão era maior do que a resistência
Vejam Daniel 10:14. O mensageiro explica que veio para fazer Daniel compreender o que aconteceria ao seu povo nos últimos dias.
Ele tinha uma mensagem para entregar. Havia um propósito a cumprir.
A resistência aparece no relato, mas não constitui o objetivo final da visita. A mensagem precisava chegar a Daniel.
E isso nos leva à coligação de Israel.
Em Doutrina e Convênios 29:7, o Senhor ensina que os eleitos ouvirão Sua voz. Em Doutrina e Convênios 33:7–9, Ele ordena que Seus servos abram a boca e proclamem o evangelho.
Não recebemos o chamado missionário para ficarmos esperando que todas as circunstâncias sejam perfeitas.
Recebemos o chamado para agir com fé.
Se temos um programa missionário, precisamos convidar pessoas.
Se temos pesquisadores, precisamos acompanhá-los.
Se conhecemos alguém que deixou de frequentar as reuniões, precisamos demonstrar amor sincero.
Se temos o testemunho de Jesus Cristo, precisamos encontrar maneiras naturais e respeitosas de compartilhá-lo.
E, se ainda não sabemos como começar, podemos orar, estudar, buscar orientação de um missionário ou LMA ou um membro missionário e aprender a ensinar de maneira simples.
A coligação de Israel não acontecerá apenas porque acreditamos nela. Ela exige que nos levantemos e participemos dela.
5. O mensageiro precisava de força — e Daniel também
Há outro momento extraordinário nessa passagem.
Em Daniel 10:17–19, Daniel reconhece sua fraqueza. O mensageiro o toca, fortalece-o e declara:
“Não temas, homem muito amado, paz seja contigo; sê forte, sim, sê forte.”
Que palavras!
Antes de receber mais entendimento, Daniel precisou ser fortalecido.
E quantos missionários também precisam ouvir essas palavras?
Há missionários que sorriem nas reuniões, mas estão desanimados por dentro.
Há irmãos que fazem convites, recebem recusas e começam a questionar sua capacidade.
Há pessoas que servem durante meses sem perceber os resultados que esperavam.
Há líderes que se perguntam se estão fazendo o suficiente.
Por isso, precisamos lembrar que a obra missionária não depende de pessoas perfeitas, mas de discípulos dispostos a confiar em Jesus Cristo e continuar aprendendo com Ele.
Não confunda cansaço com fracasso. Não confunda uma recusa com o fim da missão. Não confunda um dia difícil com a ausência de Deus.
Busque força no Salvador. Descanse quando necessário. Peça ajuda. Renove seus convênios. Volte às escrituras. Continue servindo.
O Senhor não exige que sejamos autossuficientes espiritualmente. Ele nos convida a nos achegarmos a Ele.
6. E se os 21 dias fossem um chamado à nossa perseverança?
Meus irmãos, quero propor uma reflexão.
Não sabemos quanto tempo levará para que cada pessoa aceite o evangelho. Não sabemos quais convites abrirão uma porta nem quando alguém estará preparado para ouvir nosso testemunho.
Mas sabemos que Jesus Cristo nos chamou para amar, ensinar e convidar.
Por isso, não usemos os 21 dias de Daniel como uma fórmula ou um prazo para nossas orações. Usemos essa história para refletir sobre nossa própria perseverança.
Quantas vezes convidamos uma pessoa antes de concluir que ela não tem interesse?
Quantas vezes oramos por alguém e também fazemos algo concreto para ajudá-lo?
Quantas vezes pedimos que os missionários encontrem pessoas, mas deixamos de apresentar a eles nossos amigos e familiares?
Quantas vezes falamos sobre a coligação de Israel, mas adiamos o convite que poderíamos fazer hoje?
Talvez a pergunta não seja apenas: “Por que a resposta ainda não chegou?”
Talvez precisemos perguntar também: “Senhor, o que esperas que eu faça enquanto espero?”
Porque a fé verdadeira não é passividade. É confiança em Deus acompanhada de ação justa.
Conclusão: a obra continua!
Meus irmãos e minhas irmãs, Daniel 10 começa com um homem que busca respostas e termina com uma promessa de entendimento e fortalecimento.
No meio do relato, encontramos resistência, auxílio celestial e perseverança.
Não conhecemos todos os detalhes do mundo espiritual, mas conhecemos Aquele em quem devemos confiar: Jesus Cristo, o Salvador do mundo.
É Ele quem está no centro da obra missionária. Não estamos simplesmente convidando pessoas para frequentar uma organização. Estamos convidando filhos e filhas de Deus a conhecerem o Salvador, exercerem fé Nele, arrependerem-se, receberem as ordenanças do evangelho e permanecerem em Seus convênios.
Por isso, quando uma porta se fechar, procuremos outra maneira respeitosa de servir.
Quando um pesquisador estiver desanimado, ofereçamos apoio.
Quando um novo converso precisar de amizade, estejamos presentes.
Quando um missionário estiver cansado, fortaleçamo-lo.
E quando sentirmos que nossos esforços são pequenos diante da grandeza da obra, lembremo-nos de que o Senhor pode fazer coisas grandiosas por meio de pessoas que se dispõem a servi-Lo.
O relógio corre contra nós na coligação de Israel. Não porque devamos agir com desespero, mas porque há pessoas que ainda precisam ouvir o evangelho e conhecer o amor de Jesus Cristo.
Não esperemos ter todas as respostas para começar a servir.
Não esperemos perder o medo para abrir a boca.
Não esperemos que outra pessoa faça aquilo que o Senhor colocou ao nosso alcance.
Que sejamos um povo que ora com fé, trabalha com diligência, serve com amor e persevera com esperança.
E que, quando o Senhor nos perguntar o que fizemos com as oportunidades que recebemos, possamos responder que não escondemos nossa luz, não abandonamos nossos irmãos e não nos esquecemos de Sua obra.
Porque a mensagem de Daniel não é que toda batalha terminará no prazo que desejamos.
É que, mesmo quando não compreendemos tudo o que acontece, podemos continuar buscando a Deus e confiando Nele.
Que o Senhor nos encontre trabalhando na Sua vinha, fortalecendo uns aos outros e conduzindo almas a Jesus Cristo.
Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Escrituras principais para preparar o discurso: Daniel 10:2–3, 12–14 e 17–21; Alma 32; Doutrina e Convênios 29:7 e 33:7–9.
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