Estamos fazendo da maneira certa?
Estamos fazendo da Maneira certa?
Tenho refletido profundamente sobre a forma como estamos servindo e ministrando uns aos outros.
Será que estamos, de fato, fazendo isso da maneira certa?
Estamos servindo como Cristo ensinou ou apenas repetindo rotinas que se tornaram automáticas?
Conseguimos discernir uma ministração verdadeira de um agir meramente mecânico?
E mais: Quando alguém não está bem, nós realmente nos aproximamos para ajudar ou apenas perguntamos “está tudo bem?” Para aliviar a própria consciência, sem qualquer intenção real de agir?
Essas perguntas nos convidam a olhar para dentro. E, para isso, vale lembrar a parábola do Bom Samaritano.
Jesus contou que um homem descia de Jerusalém para Jericó quando foi atacado por salteadores, que o deixaram quase morto. Um sacerdote passou pelo caminho, viu o homem e seguiu adiante. Um levita fez o mesmo. Mas um samaritano, ao vê-lo, encheu-se de compaixão, aproximou-se, cuidou de suas feridas, colocou-o sobre sua montaria, levou-o a uma estalagem e pagou por sua recuperação.
Jesus então perguntou:
“Qual desses três foi o próximo do homem ferido?”
A resposta foi clara: O que usou de misericórdia.
E Cristo concluiu: “Vai, e faze da mesma maneira.” (Lucas 10:30–37)
Mas quem eram o sacerdote e o levita?
O sacerdote era o intermediário oficial entre Deus e o povo, responsável pelos sacrifícios e serviços sagrados. O levita auxiliava nas tarefas do Templo. Ambos eram líderes religiosos, pessoas que deveriam ser exemplos de serviço e compaixão. Ainda assim, foram eles que ignoraram o homem ferido.
E aqui surge uma pergunta que nos confronta:
Será que não estamos nos parecendo com eles? Será que estamos tão envolvidos com tarefas administrativas, rotinas e obrigações que deixamos de enxergar quem realmente precisa de nós? Perguntamos “está tudo bem?” e logo retornamos ao piloto automático dentro da capela?
O élder Boyd K. Packer ensinou:
“Há muitas coisas em relação à aplicação prática do Evangelho de Jesus Cristo que não podem ser medidas pelas coisas que são contadas ou compiladas nos registros de frequência. Atarefamo-nos com edifícios, orçamentos, programas e procedimentos. Ao fazê-lo, é possível deixar passar despercebido o próprio espírito do Evangelho.”
O presidente Thomas S. Monson também ensinou:
“Não podemos amar verdadeiramente a Deus se não amarmos nossos companheiros de viagem nesta jornada da mortalidade.”
Não adianta cumprir todas as responsabilidades do chamado e, ao mesmo tempo, esquecer das pessoas.
A Igreja existe por causa das pessoas.
O trabalho administrativo é essencial, mas jamais substitui o amor ao próximo.
Recordo-me de uma experiência compartilhada pelo presidente Thomas S. Monson que me ensinou algo profundo e, muitas vezes, negligenciado: a importância de ouvir e obedecer aos sussurros do Espírito Santo, especialmente quando Ele nos inspira a ajudar alguém.
“Aos 23 anos de idade, Tom Monson, que era um bispo relativamente jovem da Ala Sessenta e Sete da Estaca Temple View, começou a sentir uma inquietação incomum, durante a reunião de liderança do sacerdócio da estaca. Teve a nítida sensação de que devia sair imediatamente da reunião e ir de carro até o Hospital dos Veteranos, que ficava na parte alta das avenidas de Salt Lake City.
Antes de sair de casa, naquela noite, ele recebera um telefonema informando que um membro idoso de sua ala estava doente e tinha sido hospitalizado. A pessoa que ligou havia perguntado se o bispo poderia ir até o hospital dar-lhe uma bênção. O jovem líder atarefado explicou que estava a caminho de uma reunião da estaca, mas que sem dúvida teria prazer em ir até o hospital assim que a reunião terminasse.
A impressão se tornou mais forte do que nunca: ‘Saia já da reunião e vá imediatamente ao hospital’. Mas o próprio presidente da estaca estava falando ao púlpito! Seria muito indelicado levantar-se no meio do discurso do líder presidente, passar por toda uma fileira de irmãos e sair do prédio. Dolorosamente, ele esperou até o fim da mensagem do presidente, então correu para a porta antes mesmo da última oração.
Correndo pelo saguão do quarto andar do hospital, o jovem bispo viu uma agitação no lado de fora do quarto a que se dirigia. Uma enfermeira o parou e perguntou: ‘Você é o bispo Monson?’
"Sou, foi a resposta ansiosa."
"Sinto muito disse ela. O paciente estava chamando seu nome pouco antes de falecer".
Lutando para conter as lágrimas, Thomas S. Monson virou-se e caminhou para a rua escura. Prometeu naquele momento que nunca mais deixaria de obedecer a uma inspiração do Senhor. Ele prometeu que reconheceria a inspiração do Espírito quando chegasse e a seguiria para onde quer que ela o levasse, para sempre estar ‘a serviço do Senhor"
Quando deixamos de ouvir e seguir os sussurros do Espírito Santo, especialmente quando se trata de estender a mão para ajudar alguém, estamos ignorando o chamado do Senhor para cuidar.
[relato do presidente Monson permanece inalterado]
Quando deixamos de ouvir e seguir os sussurros do Espírito Santo — especialmente quando se trata de estender a mão para ajudar alguém — estamos ignorando o chamado do Senhor para sermos Seus discípulos e imitarmos Seu exemplo.
O maior exemplo foi dado por Jesus Cristo, que ensinou:
“Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”
(Mateus 25:40)
Seguir a voz do Espírito é, portanto, seguir o próprio Cristo, servindo ao próximo com amor e compaixão.
E esse amor não deve existir apenas dentro da Igreja.
O presidente Spencer W. Kimball ensinou:
“Precisamos lembrar que os seres mortais que encontramos nos estacionamentos, escritórios, elevadores e em outros lugares fazem parte da humanidade que Deus nos deu para amar e servir.”
Que sejamos mais como o Bom Samaritano — alguém que não apenas sentiu compaixão, mas Agiu, usando seu tempo, sua energia e até seus recursos para socorrer quem precisava.
Que Cristo seja sempre o nosso maior exemplo.
Que deixemos de lado as desculpas, especialmente a tão comum “falta de tempo”. Que desaceleremos e passemos a enxergar quem sofre ao nosso lado. Que saiamos do automático e aprendamos a seguir a voz mansa e delicada do Santo Espírito.
“Que sempre procuremos o bem-estar dos outros e mostremos, em palavras e ações, que estamos dispostos a carregar os fardos uns dos outros (Mosias 18:8), a curar os contritos de coração (Doutrina e Convênios 138:42) e a cumprir o segundo grande mandamento de Cristo: amar ao próximo (Marcos 12:31).”
Andreza França e Cláudio França - Acervo de imagem da Autora.




Comentários
Postar um comentário